Kauan não fará cirurgia Fontan após avaliação médica em SP

Kauan não fará cirurgia Fontan após avaliação médica em SP

Menino de 5 anos tem malformação cardíaca e foi transferido ao interior paulista em setembro; equipe vetou procedimento por risco de morte.

Admin
Admin

5 de outubro de 2026 ·

O menino Kauan, de 5 anos, não poderá realizar a cirurgia Fontan, procedimento de grande porte indicado para corrigir malformação congênita no coração. A decisão foi comunicada à mãe, Laise Sousa, pela equipe médica do Hospital da Criança e Maternidade de São José do Rio Preto (SP), onde a criança está internada desde 25 de setembro de 2026.

Segundo Laise, os médicos apontaram que Kauan apresenta comprometimentos neurológicos e pulmonares que tornam a cirurgia inviável, com alto risco de morte. A criança nasceu com cardiopatia congênita, já passou por duas cirurgias e depende de sonda para se alimentar. Não fala, não anda e tem dificuldade para respirar.

A informação foi divulgada pela própria mãe nas redes sociais. Ela relatou o momento em que recebeu a notícia: "A médica acabou de passar, fizeram a reunião e infelizmente não tem nada para se fazer pelo Kauan. Ele tem muitos problemas neurológicos, no pulmão, e não dá para fazer nada por ele."

Transferência para São Paulo

A família de Kauan é de Paraíso do Tocantins, a cerca de 60 km de Palmas. Em 2024, Laise solicitou tratamento fora de domicílio. O caso foi à Justiça e, em julho de 2025, a decisão determinou que o Estado transferisse a criança para o hospital paulista, com direito a acompanhante e custeio de estadia.

Sem resposta do Estado, a Justiça expediu nova decisão um ano depois, bloqueando o valor necessário para a cirurgia. Em ato de desespero, Laise chegou a se acorrentar no portão do Hospital Geral de Palmas (HGP) para conseguir a transferência do filho.

Após os protestos, a Secretaria Estadual de Saúde informou que Kauan havia sido acompanhado no Hospital Municipal de Araguaína e que a cirurgia de Fontan seria contraindicada naquele momento, devido ao comprometimento dos acessos vasculares e à fragilidade clínica da criança.

Em 12 de setembro de 2026, o Estado comunicou que a transferência estava liberada, mas ainda era necessária uma vaga no hospital de São Paulo. A viagem ocorreu no dia 25 de setembro, em UTI aérea.

Exames e decisão médica

Já internado em São José do Rio Preto, Kauan realizou tomografia craniana, tomografia torácica e encefalograma. Em 29 de setembro, passou por cateterismo. Os médicos se reuniram na primeira semana de outubro para avaliar se a criança teria condições de passar por algum procedimento cirúrgico.

A resposta veio logo depois: nada mais poderia ser feito. A família deve retornar ao Tocantins em UTI aérea e seguir direto para a UTI do HGP, pois o menino está com acesso central na virilha. "Acredito que deve ficar um dia de observação e logo depois eles dão alta", disse a mãe.

Desabafo e próximos passos

Nas redes sociais, Laise desabafou sobre a dificuldade de aceitar o diagnóstico após tantas tentativas de conseguir o tratamento. "Entender e aceitar. Entender um diagnóstico desse não é fácil. E saber que ele vai ficar em casa agora e, quando Deus quiser levar ele, Deus vai, né? Na hora dele."

A mãe afirmou que continuará cuidando do filho em casa, no Tocantins. Não há previsão de novos procedimentos cirúrgicos para Kauan.

Deixe seu Comentário
0 Comentários
🍪

Cookies

Nosso site usa cookies para melhorar a experiência do usuário. Ao usar nossos serviços, vocês concorda com a nossa Política de Cookies.