Morte de menino Gustavo em Palmas completa um mês com pai e madrasta presos
Inquérito segue em andamento; laudo descarta afogamento e aponta hemorragia interna por violência física extrema.
A investigação da morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, em Palmas, completou um mês nesta segunda-feira (2). O pai, Igor Gustavo Veloso de Sousa, e a companheira dele, Kathellen Moreira, seguem presos preventivamente, investigados pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura.
O caso começou quando Igor procurou uma delegacia no dia 3 de agosto para informar o falecimento do filho por suposto afogamento ocorrido no dia anterior. A perícia do Instituto Médico Legal (IML), no entanto, descartou essa hipótese e apontou que a morte foi causada por laceração intestinal e hemorragia interna, resultado de violência física extrema.
Laudo aponta crueldade e multiplicidade de lesões
Segundo o laudo pericial, a morte ocorreu com “crueldade, insensibilidade, indiferença e multiplicidade de lesões”. O documento, ao qual o g1 teve acesso, também constatou lesões graves na cabeça e no intestino da criança. A mãe, Sabrina Feitosa, apresentou à polícia relatos, fotos e vídeos que indicam que Gustavo retornava das visitas ao pai com hematomas desde 2024.
Em um vídeo gravado antes da morte, a criança aparece chorando e se recusando a ir para a casa do pai. O delegado Eduardo Menezes afirmou que há imagens do menino retornando das visitas com lesões e também gravações em que ele aparece "nitidamente dopado", segundo a avaliação da investigação.
Histórico de violência e violência vicária
Em 2023, quando Gustavo tinha 8 meses, Igor havia sido denunciado por ameaçar a mãe da criança a tiros, o que gerou medida protetiva e seu afastamento do Tribunal de Ética da OAB-TO. A Polícia Civil também apura a possibilidade de o crime ser enquadrado como violência vicária, termo usado para definir situações em que a violência contra uma pessoa é usada como instrumento para causar sofrimento a outra.
🔍 A violência vicária passou a ser reconhecida expressamente na legislação brasileira em 9 de abril de 2026, com a sanção da Lei nº 15.383/2026, que alterou a Lei Maria da Penha. O termo se refere à violência praticada contra pessoas próximas à mulher, como filhos, com o objetivo de causar sofrimento, puni-la ou controlá-la.
Situação atual dos presos
Igor Gustavo está preso na Casa de Prisão Provisória de Palmas (CPPP), enquanto Kathellen Moreira está na Unidade Prisional Feminina da capital. A defesa deles foi procurada, mas não respondeu até a última atualização desta reportagem. Em manifestações anteriores, os advogados destacaram que ambos se apresentaram espontaneamente e que as investigações correm em sigilo.
A defesa de Kathellen também levantou a questão de que ela é mãe e amamenta uma bebê de apenas cinco meses. A equipe jurídica informou que adotará medidas para requerer a substituição da prisão preventiva por cautelares menos gravosas ou prisão domiciliar, citando a necessidade de proteger os direitos da bebê lactente.
Próximos passos
O inquérito segue em andamento na Polícia Civil, que continua coletando provas e depoimentos. A Justiça já negou habeas corpus para a madrasta, e a defesa de ambos busca reverter as prisões preventivas. A mãe de Gustavo acompanha as investigações e pede que a Justiça seja feita.
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