TikTok é usado para promover venda de conteúdo de abuso infantil no Telegram
Criminosos usam comentários para atrair interessados; material é anunciado por valores a partir de R$ 10.
Uma investigação jornalística revelou que criminosos estão utilizando o TikTok para promover a venda de conteúdo de abuso infantil em grupos do Telegram. O material é anunciado por valores que começam em R$ 10 e os interessados são atraídos por meio de comentários em publicações na plataforma.
A prática envolve a criação de perfis falsos e o uso de palavras-chave codificadas para driblar a moderação de conteúdo. Nos comentários, os criminosos deixam pistas sobre como acessar os grupos fechados no Telegram, onde o material ilegal é comercializado.
Modus operandi
Segundo a apuração, os criminosos publicam vídeos aparentemente inofensivos no TikTok e utilizam os comentários para direcionar os usuários a canais no Telegram. Lá, o conteúdo de abuso infantil é oferecido mediante pagamento via Pix ou criptomoedas.
Os valores variam conforme a quantidade e a natureza do material. Pacotes com dezenas de arquivos são vendidos por quantias que chegam a centenas de reais, segundo os anúncios identificados.
Desafios para as plataformas
O uso de linguagem codificada e a migração rápida entre plataformas dificultam a identificação e remoção do conteúdo pelas empresas. O TikTok afirmou que possui políticas rigorosas contra esse tipo de prática e que remove conteúdos que violam seus termos de uso.
O Telegram, por sua vez, tem sido apontado como um ambiente propício para atividades ilegais devido à dificuldade de monitoramento de grupos privados. A plataforma não se pronunciou sobre o caso específico até a publicação desta matéria.
Impacto e consequências
A venda de conteúdo de abuso infantil é crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com penas que podem chegar a oito anos de reclusão. As autoridades brasileiras têm intensificado operações para combater esse tipo de crime, mas a natureza transnacional das plataformas digitais representa um desafio adicional.
Especialistas em segurança digital recomendam que usuários denunciem perfis suspeitos às próprias plataformas e às autoridades competentes. A Polícia Federal mantém canais para recebimento de denúncias anônimas relacionadas a crimes cibernéticos.
O caso reforça a necessidade de cooperação entre empresas de tecnologia, governos e sociedade civil para combater a exploração infantil no ambiente digital.
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