Estudante que trabalhava na roça celebra primeira semana em medicina na UFT
Jovem de 17 anos conciliava estudos com trabalho braçal e se surpreendeu com aprovação no Sisu
Fernando Abreu Miranda, de 17 anos, celebrou a primeira semana no curso de medicina da Universidade Federal do Tocantins (UFT), em Palmas, após uma trajetória marcada por dedicação extrema. O estudante, natural de Itaporã do Tocantins, a 250 km da capital, dividia seu tempo entre os estudos e o trabalho braçal de "roçar juquira" ao lado do pai, para ajudar nas despesas familiares.
Apesar de estudar até 10 horas diárias na reta final do Enem, Fernando confessou ao g1 que colocou a nota para medicina no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) "por acaso", sem grandes expectativas. O resultado da chamada regular do Sisu 2026 foi divulgado em 29 de janeiro.
Mudança para a capital e apoio familiar
Com a aprovação, o jovem precisou se mudar para Palmas e pisou pela primeira vez em uma sala de aula da UFT na última segunda-feira (23). "Está sendo um pouco difícil deixar tudo para trás, morar em uma cidade grande e deixar a família e os amigos, toda essa vida que foi construída. Mas está dando certo, pois tenho família por lá [em Palmas], que está dando apoio e posso ficar o tempo que for preciso", contou Fernando.
Parentes e amigos fizeram uma carreata em Itaporã do Tocantins para comemorar a conquista do estudante. A mudança representa um desafio pessoal, mas ele conta com o suporte de familiares já estabelecidos na capital.
Rotina de estudos e trabalho
Para cursar o ensino médio em um colégio militar, Fernando precisava se deslocar diariamente cerca de 20 quilômetros. "Minha rotina de estudos era ótima. Eu ficava sempre estudando nas horas vagas e tinha uma rotina bem organizada. Às vezes eu tinha que mudar alguma coisa, ir trabalhar e tinha que estudar de noite. Depois de um tempo, passei a estudar na parte da manhã e de noite também", explicou.
O estudante revelou que, na semana anterior ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), chegou a dedicar cerca de 10 horas por dia aos livros, abrindo mão de momentos de lazer e descanso para alcançar o objetivo.
A surpresa da aprovação
Fernando Abreu contou que, ao ver o próprio nome na lista, demorou para entender que havia sido aprovado. A notícia chegou de madrugada, após uma queda de energia em sua casa. Quando a luz voltou, ele decidiu conferir a lista do Sisu e descobriu a conquista.
Inicialmente, o plano do jovem era cursar farmácia. "Coloquei minha nota por acaso, nem pensava que eu iria conseguir passar", confessou. A aprovação em medicina, portanto, foi uma surpresa que coroou anos de esforço e disciplina.
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