Ex-detento que cursa medicina no Tocantins palestra para presos em Araguaína
Wallace William da Costa, condenado por tráfico em 1997, concluiu ensino médio na prisão e hoje está no 8º período da UFNT.
O estudante de Medicina Wallace William da Costa, de 44 anos, que já cumpriu pena por tráfico de drogas na juventude, palestrou para detentos em uma unidade prisional em Araguaína, no Tocantins. A ação foi promovida pelo Laboratório de Saúde Única e Epidemiologia da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT).
Wallace está no 8º período do curso na UFNT. Acompanhado de colegas de turma, ele conversou com os presos sobre cuidados com a saúde do homem. Para ele, voltar ao sistema penitenciário como estudante e palestrante é uma forma de quebrar ciclos e mostrar que é possível superar o estigma de ex-detento.
Trajetória de superação
Condenado por tráfico em 1997, Wallace cumpriu quatro anos da pena em regime fechado na Penitenciária José Edson Cavalieri, em Minas Gerais. Ainda na prisão, ele concluiu o ensino médio e decidiu mudar de vida. Após deixar o sistema prisional, formou-se em enfermagem, passou em concursos públicos e, anos depois, retomou o sonho de cursar Medicina.
Durante a pandemia de Covid-19, ele viu a oportunidade de retomar os estudos e foi aprovado no curso. "Após minha apresentação, vieram conversar comigo e perguntaram como era a vida pós-cárcere. Eu disse que éramos taxados como ex-detento, mas o importante é que um erro não nos define", contou Wallace ao g1.
Preconceito no ambiente acadêmico
Apesar da trajetória notável, o estudante relata enfrentar preconceito dentro da própria universidade. "Infelizmente, ainda há alguns preconceitos. Inclusive, sofro com eles até aqui na própria universidade, de que esse não é o perfil de aluno que a universidade quer", afirmou.
Wallace contou que sofreu preconceito em Minas Gerais, seu estado natal, e por isso estudou para buscar oportunidades em outras regiões. "Quando resolvi me expor, sabia que teria muita gente contra. Porque a história de superação é muito bonita, mas o preconceito que vem associado a ela também é muito grande", desabafou.
Próximos passos
O estudante se prepara agora para o internato e aguarda a formatura para assumir um cargo de médico em Minas Gerais, após ser aprovado em concurso público ainda no 7º período da faculdade. O g1 procurou o Tribunal de Justiça de Minas Gerais para obter mais detalhes da condenação, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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