Diretor da PF vê 'equívoco' e cobra dos EUA prisão de foragidos brasileiros
Chefe da Polícia Federal critica postura americana e pede cooperação para capturar investigados que estão nos Estados Unidos.
O diretor-geral da Polícia Federal (PF) afirmou nesta sexta-feira (5) que há um "equívoco" na postura dos Estados Unidos em relação à prisão de foragidos brasileiros. A declaração foi feita após a pasta cobrar mais agilidade das autoridades americanas na extradição de investigados.
A fala ocorre em meio a um crescente número de brasileiros foragidos que se refugiam em território americano. A PF busca acelerar os trâmites diplomáticos e jurídicos para garantir que esses indivíduos respondam à Justiça no Brasil.
Cobrança oficial e contexto diplomático
O diretor da PF, em entrevista, classificou a situação como "inaceitável" e disse que o governo brasileiro já formalizou pedidos de cooperação. "Os EUA precisam entender que não se trata de um caso isolado. É um padrão que precisa ser corrigido", afirmou.
Dados da PF indicam que ao menos 15 foragidos de alta periculosidade estão nos Estados Unidos. Entre eles, suspeitos de crimes como tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
Em nota, a embaixada dos EUA no Brasil disse que "a cooperação jurídica entre os países é constante e baseada em tratados bilaterais". No entanto, não comentou diretamente a cobrança feita pelo diretor da PF.
Comparação com outros casos e entraves legais
O caso reacende o debate sobre a eficácia dos acordos de extradição. Especialistas apontam que a burocracia e as diferenças nos sistemas judiciais são os principais entraves. "Cada país tem suas regras. Mas quando há flagrante descumprimento, a via diplomática é o caminho", explicou o advogado criminalista Carlos Mendes, em entrevista ao G1.
Em 2024, o Brasil conseguiu a extradição de três foragidos dos EUA, mas outros casos se arrastam há anos. A PF espera que a cobrança pública acelere as negociações.
O governo brasileiro também avalia medidas recíprocas, como a revisão de acordos de cooperação policial, caso os EUA não demonstrem avanços concretos nos próximos meses.
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