Ex-gerente de fazenda no Tocantins é preso por desviar R$ 10 milhões e agiotagem
Patrimônio do investigado saltou de R$ 200 mil para R$ 1,9 milhão em um ano, segundo a polícia.
Péricles Antônio Pereira, ex-gerente de uma fazenda em Miranorte, no Tocantins, foi preso preventivamente nesta segunda-feira (7) sob suspeita de desviar R$ 10 milhões da propriedade e usar parte do dinheiro para praticar agiotagem. A Polícia Civil do estado cumpriu mandados de busca e apreensão também em Lajeado (TO) e Novo São Joaquim (MT).
As investigações da 6ª Delegacia de Investigações Criminais (6ª DEIC) começaram há seis meses, após os donos da fazenda relatarem inconsistências financeiras. Segundo a polícia, os crimes ocorreram entre 2021 e 2025, período em que o ex-gerente se aproveitou da confiança dos proprietários.
Esquema de superfaturamento e agiotagem
A polícia afirma que Péricles Antônio Pereira usava seu cargo para superfaturar serviços de terceiros prestados à fazenda. A diferença entre os valores reais e os informados era desviada para contas próprias e de terceiros. Empresas prestadoras relataram à polícia comportamento intimidatório durante cobranças, incluindo o uso de arma de fogo.
Documentos apreendidos revelaram planilhas com controle de valores ligados à prática de agiotagem, que supostamente era realizada com parte do dinheiro desviado. Durante as buscas, outro homem foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.
Evolução patrimonial "incompatível"
O inquérito identificou uma evolução patrimonial considerada incompatível com a renda declarada do investigado. Péricles recebia um salário de aproximadamente R$ 26 mil, mas teve seu patrimônio elevado de cerca de R$ 200 mil para R$ 1,9 milhão entre 2023 e 2024, sem comprovação da origem dos recursos.
Após a quebra de sigilos, a investigação apontou que o suspeito aplicou mais de R$ 2,5 milhões em fundos de investimento. Os policiais também encontraram pesquisas feitas por ele na internet sobre investimentos capazes de gerar renda mensal de R$ 20 mil e sobre processos contra funcionários acusados de superfaturamento.
Medidas judiciais e defesa
A Justiça autorizou, além da prisão preventiva, o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas do investigado e da esposa, e de R$ 1,6 milhão nas contas de uma empresa que, segundo a polícia, fazia parte do esquema.
Em nota, a defesa de Péricles Antônio Pereira afirmou que não teve acesso integral ao inquérito e vai se manifestar posteriormente. Sustentou a inocência do cliente, destacando seus mais de 20 anos de atuação no meio rural sem histórico de irregularidades, e negou que o patrimônio tenha sido construído recentemente.
O ex-gerente é formalmente suspeito dos crimes de furto qualificado mediante fraude, lavagem de dinheiro e agiotagem.
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