Flávio Bolsonaro cobrou dinheiro de Vorcaro um dia antes de prisão, revelam áudios

Flávio Bolsonaro cobrou dinheiro de Vorcaro um dia antes de prisão, revelam áudios

Mensagens obtidas pelo G1 mostram senador pedindo recursos a empresário preso na véspera da operação; defesa nega irregularidades.

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14 de maio de 2026 ·

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) cobrou dinheiro do empresário João Vorcaro um dia antes de ele ser preso, em 12 de maio de 2026. A informação consta em mensagens de áudio e texto obtidas pelo G1, que revelam a relação entre o parlamentar e o investigado.

Nos diálogos, Flávio pergunta a Vorcaro sobre o pagamento de uma quantia não especificada, dizendo: “Topa jantar com Jim Caviezel?” — referência ao ator americano que interpretou Jesus Cristo no filme "A Paixão de Cristo". A frase, segundo apuração, era um código utilizado entre eles para tratar de transações financeiras.

Áudios mostram cobrança na véspera da prisão

Em um dos áudios, Flávio diz a Vorcaro: “É mentira” — após o empresário questionar a veracidade de uma informação. A conversa foi gravada horas antes da Operação da Polícia Federal que prendeu Vorcaro por suspeita de crimes financeiros.

O senador, em nota oficial, confirmou ter pedido recursos a Vorcaro, mas negou qualquer irregularidade. “Trata-se de um empréstimo pessoal, devidamente declarado e sem qualquer relação com atividades ilícitas”, afirmou a assessoria de Flávio.

No entanto, em ocasiões anteriores, Flávio havia negado ter solicitado dinheiro a Vorcaro. A contradição veio à tona após os áudios serem divulgados por veículos de imprensa.

Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh: quem são os citados?

Jim Caviezel é o ator que interpretou Jesus Cristo no filme "A Paixão de Cristo" (2004), dirigido por Mel Gibson. Já Cyrus Nowrasteh é o diretor do filme "O Código Da Vinci" (2006). Ambos foram citados por Flávio em conversas com Vorcaro, em uma tentativa de despistar possíveis investigações, segundo analistas.

Especialistas ouvidos pelo G1 afirmam que o uso de códigos e referências culturais é comum em esquemas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. “A menção a figuras públicas pode ser uma forma de criar uma cortina de fumaça para transações ilegais”, explica o advogado criminalista Carlos Alberto de Oliveira.

Repercussão política e jurídica

A divulgação dos áudios ocorre em meio à campanha eleitoral para o Senado, onde Flávio busca a reeleição. Colunistas políticos avaliam que o caso coloca a candidatura do senador em xeque, com possíveis desdobramentos na Justiça Eleitoral.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) já solicitou a quebra dos sigilos bancário e telefônico de Flávio e Vorcaro para aprofundar as investigações. A defesa do senador afirma que colaborará com as autoridades e que todas as transações foram legais.

Vorcaro permanece preso preventivamente, aguardando julgamento por suspeita de crimes contra o sistema financeiro nacional.

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