Greve geral na Argentina paralisa fábricas da Stellantis, Volkswagen e Ford
Movimento sindical afeta produção de veículos no país e amplia tensões com o governo de Javier Milei.
Uma greve geral convocada por centrais sindicais paralisou nesta quinta-feira (19) as operações de grandes montadoras de automóveis na Argentina, incluindo as fábricas da Stellantis, Volkswagen e Ford. A paralisação, que atinge diversos setores da economia, é um protesto contra as políticas econômicas do governo do presidente Javier Milei.
O movimento, liderado pela poderosa Central Geral dos Trabalhadores (CGT), busca pressionar por mudanças nas reformas trabalhistas e nas medidas de ajuste fiscal implementadas pela administração liberal. A paralização nas linhas de produção automotiva representa um golpe significativo em um dos setores industriais mais importantes do país.
Impacto direto na indústria automotiva
As fábricas das três montadoras tiveram suas atividades completamente interrompidas, sem a produção de nenhum veículo durante o dia. A Stellantis, responsável por marcas como Fiat, Peugeot e Citroën no país, confirmou a paralisação total em seu complexo industrial em Córdoba. A Volkswagen, com sua planta em Pacheco, na província de Buenos Aires, e a Ford, também na região, seguiram o mesmo caminho.
Segundo estimativas do setor, a greve pode representar uma perda de produção de mais de 1.500 veículos, em um momento em que a indústria busca se recuperar após anos de instabilidade econômica. A Argentina é um polo regional de produção automotiva, com parte da produção destinada à exportação para outros países da América Latina.
Contexto de tensão política
A greve ocorre em um cenário de confronto aberto entre o governo de Milei e os sindicatos. Desde que assumiu o cargo em dezembro de 2025, o presidente tem promovido uma agenda de forte liberalização econômica, com cortes de gastos públicos e reformas que, segundo críticos, fragilizam direitos trabalhistas históricos.
"Estamos defendendo o emprego e a dignidade dos trabalhadores argentinos contra um governo que só sabe cortar", declarou Héctor Daer, um dos principais dirigentes da CGT, em discurso durante os atos. Do lado governista, o ministro do Interior, Guillermo Francos, classificou a paralisação como "um ato político de setores que se beneficiam do status quo anterior".
A mobilização também afetou serviços públicos, bancos, portos e o transporte em várias províncias, configurando-se como o maior teste de força dos sindicatos contra o governo Milei até o momento. Analistas políticos avaliam que o desfecho deste confronto será crucial para definir os rumos das reformas e a governabilidade nos próximos meses.
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