Motoristas de ônibus param serviço em Araguaína após não receberem salários

Motoristas de ônibus param serviço em Araguaína após não receberem salários

Empresa responsável alega falta de reajuste tarifário desde 2018 e atraso em repasses da prefeitura para justificar paralisação.

Admin
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12 de janeiro de 2026 ·

Motoristas do transporte coletivo de Araguaína, no norte do Tocantins, paralisaram as atividades no sábado (10) após não receberem os salários. A empresa concessionária, Araguaína Transportes, atribui o não pagamento à falta de reajuste na tarifa de passagem desde 2018 e ao atraso no repasse de subsídios pela Prefeitura Municipal desde setembro de 2023.

A paralisação afeta 20 veículos que atendem 14 linhas na cidade, com intervalos entre 27 e 30 minutos. O serviço, que opera das 5h30 às 23h30, está suspenso, deixando a população sem transporte público.

Impasses entre prefeitura e concessionária

O representante da Araguaína Transportes, Umberto Pereira, explicou que a empresa não consegue arcar com as despesas, especialmente a folha salarial, devido à falta de reajustes. "O pessoal está paralisado devido a não termos reajuste de tarifa desde 2018. E desde 2023 também não houve reajuste no subsídio. Há alguns retroativos do subsídio atrasados pela prefeitura", afirmou Pereira.

Segundo ele, os motoristas só retornarão ao trabalho após a prefeitura cumprir os termos do contrato e realizar os pagamentos devidos, o que permitiria à empresa quitar os salários. A passagem do ônibus em Araguaína custa atualmente R$ 4.

Prefeitura aponta descumprimento contratual

Em nota, a Prefeitura de Araguaína afirmou que está em dia com os repasses à concessionária, no valor de R$ 351 mil mensais. A gestão municipal alegou que há problemas no cumprimento do contrato por parte da empresa, incluindo reclamações de usuários sobre a conservação dos veículos.

A prefeitura ressaltou que a frota operada pela Araguaína Transportes tem veículos com mais de 15 anos, "excedendo a idade máxima prevista no contrato". O município informou que solicitou à empresa a apresentação de um plano para renovação da frota e laudos mecânicos de segurança, mas não obteve resposta até o momento.

"O descumprimento de cláusulas do contrato pode implicar na perda da concessão", alertou a prefeitura, acrescentando que o atraso no pagamento dos colaboradores é uma responsabilidade da empresa.

Empresa rebate e aguarda ajuste de valores

Em resposta, a Araguaína Transportes reconheceu que os veículos têm 15 anos e informou que os planos de atualização e laudos estão sendo elaborados. No entanto, a empresa condiciona a aquisição de novos ônibus ao ajuste dos valores que alega não ter recebido da prefeitura desde setembro de 2023.

Umberto Pereira argumentou que custos como salários, pneus, combustível e peças tiveram reajustes, mas os pedidos de adequação feitos à prefeitura não obtiveram retorno. A empresa não informou o valor total da dívida que atribui ao município.

Busca por soluções e regulamentação alternativa

Enquanto o impasse persiste, a Prefeitura de Araguaína informou que analisa estratégias para resolver a situação, incluindo a regulamentação de lotações (vans) como transporte alternativo. A gestão municipal aguarda o posicionamento da concessionária sobre os requerimentos enviados para a continuidade do contrato.

A paralisação segue sem previsão de término, dependendo de um acordo entre as partes para o reajuste tarifário, o pagamento dos subsídios em atraso e a definição de um cronograma para a modernização da frota de ônibus.

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