PCC e CV transformam crimes ambientais em nova fronteira do poder

PCC e CV transformam crimes ambientais em nova fronteira do poder

Organizações criminosas expandem atuação para desmatamento e garimpo ilegal, gerando bilhões e desafiando o Estado.

Admin
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12 de abril de 2026 ·

As maiores facções criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), estão migrando parte de suas operações para crimes ambientais, como desmatamento e garimpo ilegal. A nova estratégia, que movimenta bilhões de reais, representa uma expansão territorial e uma sofisticação do crime organizado, desafiando a fiscalização em áreas remotas da Amazônia e de outras regiões.

A atuação ocorre por meio do financiamento de atividades predatórias, da cobrança de "taxas" sobre o produto extraído e do controle logístico para a venda do material, especialmente ouro e madeira. A infiltração em cadeias produtivas legais também é uma tática comum para lavar os recursos obtidos.

Expansão para áreas de proteção e terras indígenas

Relatórios de inteligência das polícias Federal e Civil apontam que as organizações têm avançado sobre Unidades de Conservação e Terras Indígenas, onde a presença do Estado é mais frágil. Somente na Terra Indígena Yanomami, estima-se que o garimpo ilegal, sob influência de milícias e facções, tenha gerado mais de R$ 5 bilhões em prejuízos em 2025, segundo dados do Instituto Socioambiental (ISA).

"Eles perceberam que é um negócio de alto retorno e baixo risco, se comparado ao tráfico. A repressão ainda é incipiente e as penas, brandas", analisa o delegado da Polícia Federal, Marcos Aurélio Costa, especialista em crimes ambientais.

Estruturação similar ao tráfico de drogas

A operação criminosa segue uma lógica empresarial, com divisão de tarefas entre financiadores, "gerentes" de área, garimpeiros e transportadores. O Comando Vermelho tem forte atuação no garimpo no Pará e no Amazonas, enquanto o PCC expande sua influência sobre madeireiras ilegais no Mato Grosso e em Rondônia.

A conexão com o crime tradicional é evidente: o ouro ilegal serve como moeda de troca por armas e cocaína nas fronteiras, integrando diferentes mercados ilícitos. "É a financeirização do crime ambiental. O produto vira um ativo líquido e global", explica a pesquisadora em segurança pública, Dra. Beatriz Ramos.

Resposta estatal ainda é insuficiente

Autoridades reconhecem a dificuldade em combater a nova modalidade. As operações de fiscalização são complexas, caras e perigosas, exigindo um aparato logístico que muitas vezes supera a capacidade dos órgãos ambientais e de segurança.

O Ministério da Justiça anunciou a criação de uma força-tarefa interagências para enfrentar o problema, mas especialistas alertam que, sem um aumento significativo de recursos e uma integração eficaz entre União, estados e municípios, o avanço das facções continuará. O próximo passo, segundo análises de inteligência, pode ser a infiltração definitiva no agronegócio e no mercado de créditos de carbono.

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