PMs são investigados por agiotagem com terror psicológico e truculência em TO
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PMs são investigados por agiotagem com terror psicológico e truculência em TO

Grupo usava ameaças e coação armada para cobrar dívidas com juros abusivos em Guaraí e Palmas; quatro suspeitos foram presos.

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27 de abril de 2026 ·

A Polícia Civil do Tocantins investiga policiais militares e um servidor público por usarem truculência e ameaças constantes para cobrar dívidas de agiotagem em Guaraí e Palmas. Segundo a 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Deic), o grupo usava "terror psicológico" e métodos de coação para forçar pagamentos com juros abusivos.

Durante a Operação Nêmesis, deflagrada nesta sexta-feira (24), a Polícia Civil deu cumprimento a mandados de prisão preventiva e ordens de suspensão das funções públicas contra os investigados. As medidas judiciais visam garantir a instrução do processo e impedir a continuidade das atividades do grupo.

Esquema de agiotagem

A investigação aponta que o esquema era financiado por Francisco de Assis Gomes de Almeida, o "DiAssis". Para as cobranças, ele supostamente contava com o apoio dos policiais militares Delcio Lima de Borba Junior e Valdimar Rufino de Sousa, além do funcionário do sistema penal Roberto Plathyny Vieira Saraiva.

Os quatro suspeitos passaram por audiência de custódia realizada neste domingo (26) e seguem presos. A defesa, representada pelo advogado Vinícius Moreira, informou que deve entrar com um pedido de liberdade nesta segunda-feira (27).

Métodos de coação

Um dos relatos mais graves da investigação ocorreu em 25 de fevereiro de 2026. Na data, o servidor Roberto Plathyny e o PM Delcio Borba foram ao comércio de uma das vítimas na região sul de Palmas.

No local, os agentes intimidaram uma idosa de 65 anos e o filho dela, que é empresário. O relatório policial descreve que o PM Delcio Borba agiu como o "braço armado" do grupo: ele levantou a roupa para exibir a arma na cintura e ficou na porta do mercado com as mãos sobre o armamento, fazendo insultos e ameaças.

As ameaças incluíram a menção a um suposto "grupo de cobrança de fora" que já estaria com a dívida das vítimas. Para a polícia, o grupo fazia um verdadeiro terror psicológico a ponto de deixar a idosa em pânico.

Dívida interminável

O delegado Wanderson Chaves de Queiroz explicou que os empréstimos feitos pelas vítimas viraram uma "bola de neve". Durante dois anos, as vítimas, que eram mãe e filho, pagaram R$ 4 mil mensais em juros, mas a dívida nunca acabava.

O agiota Francisco de Assis tinha mais de R$ 334 mil em cheques das vítimas. O empresário chegou a vender o primeiro comércio, em Guaraí, para tentar pagar o grupo. Mesmo assim, as perseguições continuaram em Palmas, para onde a família fugiu tentando recomeçar.

O medo provocado pelas visitas armadas foi tão grande que as vítimas fecharam o novo mercado e abandonaram a capital, mudando-se para local incerto para preservar a vida.

Reação das instituições

A Polícia Militar do Tocantins informou que os dois policiais citados foram imediatamente afastados de suas funções. A corporação realizou o recolhimento do armamento institucional e instaurou procedimentos administrativos internos. A PM reforçou que mantém uma política de "tolerância zero" em relação a desvios de conduta de seus membros.

A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) também se manifestou sobre o envolvimento de um funcionário do sistema prisional, que atuava como contratado temporário. Segundo a pasta, o pedido de extinção do contrato de prestação de serviço do investigado foi formalizado logo após a operação policial.

A Seciju reiterou que não compactua com qualquer desvio de conduta, ato ilícito ou utilização indevida da estrutura estatal por parte de seus servidores ou colaboradores.

Próximos passos

A defesa dos suspeitos informou que deve entrar com pedido de liberdade nesta segunda-feira (27). A Polícia Civil continua as investigações para identificar outras possíveis vítimas e participantes do esquema criminoso.

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