Prefeito de Cachoeirinha é investigado por nomear sobrinha, irmão e esposa para cargos
Ministério Público recomendou exoneração dos três familiares, que ocupam secretarias municipais desde janeiro de 2025.
O prefeito de Cachoeirinha, no Tocantins, Sandrimar Alves (UB), é alvo de uma investigação do Ministério Público Estadual (MPE) por nomear três parentes para cargos de confiança na administração municipal. Além da sobrinha, Tauana Ferreira da Silva Moraes, de 23 anos, o gestor nomeou sua esposa, Elaine de Deus, e seu irmão, Edimar Alves, para secretarias.
O promotor Gilmar Pereira Avelino recomendou, em 23 de janeiro de 2026, que o prefeito exonerasse os familiares em um prazo de 10 dias úteis. A portaria que formaliza a investigação foi publicada no Diário Oficial do Ministério Público em 26 de janeiro.
Os cargos ocupados pelos familiares
Conforme informações repassadas ao MPE e consulta ao portal da transparência, a primeira-dama, Elaine de Deus, ocupa a Secretaria Municipal de Finanças desde janeiro de 2025. O irmão do prefeito, Edimar Alves, assumiu a coordenação municipal de Juventude no mesmo mês e, em abril de 2025, foi nomeado secretário municipal de Cultura.
A sobrinha, Tauana Ferreira, foi nomeada secretária municipal dos Direitos da Mulher (antiga Secretaria de Igualdade) também em janeiro de 2025, com remuneração bruta de R$ 4 mil. O promotor apontou em sua recomendação que ela não teria concluído o ensino médio, grau de escolaridade considerado incompatível com a função.
Defesas e posicionamentos
Em nota enviada ao g1, Tauana Ferreira contestou a informação sobre sua escolaridade. "Esclareço que possuo ensino médio completo, informação diferente da que vem sendo indevidamente veiculada. Além disso, atualmente curso graduação em Administração", afirmou. Ela disse que as informações divulgadas "não correspondem à realidade dos fatos".
A Prefeitura de Cachoeirinha, por meio de nota do prefeito Sandrimar Alves, afirmou que a nomeação da sobrinha "foi realizada em estrita observância à legislação vigente" e que a nomeada preenche "todos os requisitos legais, técnicos, administrativos e de escolaridade". Sobre a recomendação do MPE, o município informou que "não foi formalmente notificado" e que, após a notificação, o setor jurídico analisará o caso.
O g1 solicitou posicionamento à primeira-dama e ao irmão do prefeito, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Contexto e próximos passos
O caso chegou ao Ministério Público em fevereiro de 2025. Além de recomendar as exonerações, o promotor também orientou que o prefeito não nomeie para cargos de comissão parentes sem qualificação profissional compatível.
O MPE aguarda o cumprimento da recomendação dentro do prazo estipulado. Caso não seja atendido, o órgão pode adotar outras medidas legais, incluindo a propositura de ação civil pública.
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