Prévia da inflação acelera em abril e sobe para 0,87%, puxada por alimentos e combustíveis
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Prévia da inflação acelera em abril e sobe para 0,87%, puxada por alimentos e combustíveis

IPCA-15 registra alta de 0,87% no mês, maior taxa desde fevereiro de 2022, com destaque para tomate, gasolina e planos de saúde.

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28 de abril de 2026 ·

A prévia da inflação oficial no Brasil acelerou em abril. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,87% no mês, ante alta de 0,64% em março. O resultado é o maior para o mês desde fevereiro de 2022 (0,99%).

O índice acumula alta de 4,66% nos últimos 12 meses, acima dos 4,14% registrados no período anterior. A aceleração foi puxada principalmente pelos grupos de Alimentação e bebidas e Transportes.

Alimentos pesam no bolso

O grupo Alimentação e bebidas teve a maior variação entre os nove grupos pesquisados, com alta de 1,43% em abril. O destaque ficou para o tomate, que subiu 15,26% no período. Outros itens como cenoura e feijão também registraram aumentos significativos.

"A alta dos alimentos é sazonal, mas foi intensificada por condições climáticas adversas em regiões produtoras", explica o economista André Braz, do FGV Ibre. "Isso impacta diretamente o orçamento das famílias, especialmente as de menor renda."

Combustíveis e passagens aéreas pressionam Transportes

O grupo Transportes subiu 0,86% em abril, influenciado pelo aumento de 3,11% nos combustíveis. A gasolina teve alta de 3,28%, enquanto o etanol subiu 2,95%. As passagens aéreas também contribuíram para a pressão, com alta de 4,72%.

O reajuste dos combustíveis reflete a política de preços da Petrobras e a alta do petróleo no mercado internacional. Em março, a estatal anunciou um aumento de 7% na gasolina para as distribuidoras.

Plano de saúde e habitação também sobem

O grupo Saúde e cuidados pessoais teve alta de 0,67%, puxado pelos planos de saúde, que subiram 1,22%. Já o grupo Habitação registrou avanço de 0,82%, com destaque para a energia elétrica residencial, que subiu 1,15%.

O IPCA-15 é calculado pelo IBGE e serve como uma prévia da inflação oficial, o IPCA. O índice completo de abril será divulgado no dia 9 de maio.

Impacto no bolso e na economia

A aceleração da inflação preocupa o governo, que tenta conter os preços dos alimentos com medidas como a redução de impostos de importação. O Banco Central, por sua vez, deve manter a taxa básica de juros (Selic) em patamares elevados para conter a pressão inflacionária.

Para o consumidor, a alta dos alimentos e combustíveis significa um orçamento mais apertado. "A inflação corrói o poder de compra, especialmente para quem ganha até dois salários mínimos", alerta a economista Carla Beni, da FGV.

O governo anunciou nesta semana um pacote de medidas para reduzir o endividamento das famílias, incluindo o uso do FGTS para quitar dívidas e descontos de até 90% em renegociações. A expectativa é que as medidas ajudem a aliviar o impacto da inflação no bolso dos brasileiros.

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