Relatório da CGU aponta sobrepreço de R$ 17,8 milhões em ponte reconstruída no TO
Auditoria identificou uso de referências antigas e atualizações financeiras acima de 100% na obra emergencial.
A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou um sobrepreço de R$ 17,8 milhões na reconstrução da ponte Juscelino Kubitschek, que liga os estados do Tocantins e do Maranhão na BR-226. O relatório da CGU apontou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) utilizou referências de obras antigas e atualizações financeiras superiores a 100% para simular o valor do contrato, distorcendo os valores reais de mercado.
A ponte, que desabou em dezembro de 2024 causando 14 mortes e três desaparecimentos, foi reconstruída em caráter emergencial e entregue em dezembro de 2025, com um investimento total de R$ 171.969.000. A equipe de auditoria da CGU estimou que o valor justo para a obra seria de R$ 154,15 milhões, configurando a diferença de R$ 17.819.000,00.
Metodologia questionada e falta de rastreabilidade
O relatório técnico da CGU criticou a metodologia paramétrica de estimativa de custos adotada pelo DNIT. Segundo a controladoria, o órgão usou como base obras com mais de 10 anos e aplicou atualizações financeiras acima de 100%, o que não refletiria os preços de mercado atuais. A CGU também destacou que as cartas de solicitação de propostas e as justificativas formais para a escolha das empresas consultadas não foram encontradas nos autos do processo, "prejudicando a rastreabilidade" da contratação.
O DNIT, em nota oficial ao g1, rebateu as conclusões, afirmando que o relatório da CGU aponta apenas um "indício de risco de sobrepreço" associado à metodologia, "não havendo, até o presente momento, identificação de dano efetivo ao erário". O órgão federal ressaltou que a reconstrução ocorreu em um "contexto emergencial" que comprometeu a mobilidade e a economia regional, exigindo ação prioritária.
Contexto da tragédia e características da nova obra
A antiga ponte Juscelino Kubitschek desabou às 14h50 do dia 22 de dezembro de 2024, quando caíram no Rio Tocantins três motos, um carro, duas caminhonetes e quatro caminhões – dois deles carregando 76 toneladas de ácido sulfúrico e 22 mil litros de defensivos agrícolas. Das 18 vítimas, apenas um homem sobreviveu. A queda foi filmada no momento exato pelo vereador de Aguiarnópolis (TO), Elias Júnior (Republicanos), que documentava os problemas estruturais para uma denúncia.
A nova estrutura, inaugurada exatamente um ano após a tragédia, tem 630 metros de extensão, 19 metros de largura e um vão livre de 154 metros. O projeto inclui duas faixas de rolamento, acostamentos, barreiras de proteção e passeios para pedestres.
Próximos passos e posicionamento do DNIT
O relatório da CGU já foi concluído e contém análises e recomendações direcionadas ao DNIT, que informou que o documento "encontra-se em análise pelas áreas técnicas competentes". O órgão afirmou que, caso a análise técnica constate a necessidade de ajustes nos quantitativos ou valores, "adotará todas as providências administrativas cabíveis para a recomposição contratual". O DNIT também reafirmou seu compromisso com a transparência e a cooperação com os órgãos de controle.
A CGU deve continuar o monitoramento do caso. O g1 Tocantins acompanha as atualizações.
Deixe seu Comentário
0 Comentários