Tocantins registra 1.593 acidentes com serpentes em pouco mais de dois anos
Especialista alerta para o aumento do contato entre humanos e animais silvestres, com jararacas e cascavéis liderando os casos.
O estado do Tocantins contabilizou 1.593 casos de pessoas picadas por serpentes entre janeiro de 2024 e março de 2026, conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO). O levantamento aponta 723 ocorrências em 2024, 670 em 2025 e outras 200 nos três primeiros meses de 2026.
O biólogo Lucas Elias Oliveira Borges, entrevistado pelo g1, explica que o aumento está diretamente ligado à maior interação entre humanos e animais silvestres, fenômeno observado tanto em áreas urbanas quanto rurais. As espécies mais envolvidas nos acidentes são as jararacas e as cascavéis.
Espécies envolvidas e riscos específicos
Segundo o biólogo Lucas Elias Oliveira Borges, além das jararacas e cascavéis, há registros, ainda que em menor número, de acidentes com a cobra coral verdadeira. "Acontecem pouquíssimos casos com elas, mas essas cobras possuem camuflagem que as tornam imperceptíveis no ambiente, o que acaba provocando acidentes", explicou.
Borges destacou o papel ecológico crucial desses animais, mesmo com os riscos que representam. "São animais importantíssimos, pois controlam populações de outras espécies e mantêm o equilíbrio ecológico. Porém, acidentes podem causar até a morte, dependendo da saúde da pessoa. Crianças e idosos têm maior risco", afirmou.
Onde ocorrem e como agir em caso de picada
A maior parte dos acidentes com serpentes acontece na zona rural. Nas áreas urbanas, os casos mais frequentes envolvem escorpiões. "As picadas de cobras acontecem principalmente nos pés e pernas, e em menor grau nas mãos", detalhou o biólogo.
Esses répteis são comumente encontrados em ambientes naturais como margens de riachos, sob folhas no chão e em troncos caídos. Em centros urbanos, tendem a se abrigar em locais fechados e quentes.
Em caso de acidente, a orientação é manter a calma, lavar o local com água e sabão, elevar o membro afetado, ingerir bastante água e buscar atendimento médico especializado imediatamente. "É necessário ir ao hospital mais próximo para receber o soro correto, já que cada espécie possui um tipo específico de veneno", pontuou Borges.
Práticas como perfurar o local da picada, aplicar substâncias como café, açúcar ou querosene, ou fazer torniquete devem ser rigorosamente evitadas, pois podem agravar o quadro clínico da vítima.
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