Tocantins registra 1.593 ataques de serpentes desde 2024; 200 casos só em 2026

Tocantins registra 1.593 ataques de serpentes desde 2024; 200 casos só em 2026

Criança de 6 anos sobrevive após 11 dias internada por picada de jararaca; maioria das vítimas são homens jovens.

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6 de abril de 2026 ·

O Tocantins contabilizou 1.593 registros de pessoas vítimas de picadas de serpentes desde o início de 2024, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO). Apenas nos três primeiros meses de 2026, foram confirmados 200 novos casos. Os números refletem o aumento do contato entre seres humanos e animais silvestres, tanto em áreas urbanas quanto rurais.

Entre as vítimas está o menino Asafe Pereira de Sousa, de 6 anos, que sobreviveu após ser picado por uma jararaca na chácara da família, em Palmas. A espécie é altamente venenosa e ele precisou ficar internado por 11 dias. Para a mãe, a recuperação do filho foi um "verdadeiro milagre".

Perfil das vítimas e espécies envolvidas

Conforme os dados oficiais, do total de 1.593 acidentes, 1.205 vítimas foram do sexo masculino e 388 do sexo feminino. A faixa etária mais atingida é a de adultos jovens. "São predominantemente adultos jovens, geralmente na faixa dos 20 aos 40 anos. Em muitos casos, são pessoas em atividade laboral ou em momentos de lazer no momento do acidente", afirmou a médica Alexsandra Rossi, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), em Araguaína.

Em 2025, essa unidade de referência atendeu 75 vítimas de acidentes com cobras. De acordo com Alexsandra Rossi, a maioria dos casos atendidos foi causada por serpentes do tipo botrópico, como jararaca, jararacuçu, urutu, cotiara, cruzeira e caiçara. Em seguida, aparecem os acidentes não especificados ou por outras espécies, incluindo picadas de cascavel e das cobras conhecidas como corais verdadeiras.

Orientações em caso de acidente

A orientação das autoridades de saúde é procurar atendimento médico o mais rápido possível, pois o uso precoce do soro antiofídico reduz significativamente o risco de complicações. "Sempre que possível, se for seguro, a identificação da serpente também pode ajudar, mas sem colocar ninguém em risco", alerta a médica Alexsandra Rossi.

Ela também esclarece um mito comum na região: "Também é importante lembrar que, em nossa região, ainda existe o costume de não oferecer água ao paciente após a picada, mas a hidratação é fundamental, desde que a pessoa esteja consciente e sem dificuldade para engolir".

Como agir ao encontrar uma serpente

A veterinária Jenniffer Rodrigues Fernandes explica que as serpentes exercem um papel ecológico fundamental, principalmente no controle de roedores, e atacam apenas quando se sentem ameaçadas. "O correto é acionar o Batalhão Ambiental, a Polícia Ambiental ou o Corpo de Bombeiros, que são treinados para recolher esses animais com segurança. A pessoa deve apenas sinalizar o local e aguardar", orientou a especialista.

As autoridades reforçam que a população não deve tentar capturar ou matar o animal, para evitar novos acidentes e preservar a fauna silvestre.

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