Tocantins registra 68 feminicídios em 2025, maioria cometida por companheiros

Tocantins registra 68 feminicídios em 2025, maioria cometida por companheiros

Estado ocupa a quinta posição nacional em violência contra a mulher, com maioria dos crimes ocorrendo dentro das próprias casas.

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28 de dezembro de 2025 ·

O estado do Tocantins registrou 68 casos de feminicídio em 2025, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). A maioria das vítimas foi assassinada por companheiros ou ex-companheiros que não aceitaram o fim do relacionamento, com os crimes ocorrendo predominantemente dentro das residências. O número representa uma redução de 5,55% em relação aos 72 casos registrados em 2024.

Os dois últimos casos foram registrados na madrugada do último sábado (27) em Buriti do Tocantins, elevando a contagem oficial. Apesar da leve queda estatística, o Tocantins mantém a triste posição de quinto estado mais violento do Brasil contra as mulheres, segundo a juíza Cirlene de Assis.

Perfil dos crimes e histórias das vítimas

Conforme o painel estatístico da SSP, 34 dos assassinatos aconteceram dentro de residências. Os crimes também foram registrados em zonas rurais (12), áreas urbanas (11), vias públicas, estabelecimentos comerciais e até em uma empresa. Palmas lidera com 9 casos, seguida por Gurupi (6) e Tocantinópolis (4). Novembro foi o mês com maior incidência, com 10 mortes, e os finais de semana concentram mais ocorrências.

A designer de unhas Lilia Batista, que sobreviveu a um relacionamento abusivo, relatou ao g1 as agressões sofridas. "Primeiramente começaram as agressões psicológicas. Depois, quando eu falava que não queria mesmo, ele começou a me espancar, do nada. Tentou me matar várias vezes", disse. Ela precisou mudar de estado após não se sentir protegida pelas autoridades locais.

Casos recentes ilustram padrão de violência

Entre os casos recentes está o de Maysa Rodrigues Fernandes Cardoso, 35 anos, morta em Gurupi. O esposo, de 41 anos, é o principal suspeito e teria ficado com o corpo da vítima por 24 horas antes de enterrá-lo em uma área de mata. A filha do casal, de 18 anos, acionou a Polícia Militar.

Em Arraias, Aliny Pereira de Ornelas, 25 anos, foi vítima de feminicídio. O suspeito, Edivaldo Teixeira Chaves, de 36 anos, tirou a própria vida após o crime. A SSP informou que o casal estava separado há dois meses, mas ele não aceitava o fim do relacionamento.

Já em Figueirópolis, a técnica de enfermagem Daiany Batista de Carvalho, 31 anos, foi assassinada a tiros. Um homem de 38 anos foi preso, confessando ter sido contratado por R$ 5 mil para cometer o crime. O ex-vereador Genivaldo Mendes da Silva, de 47 anos, é suspeito de ser o mandante.

Outro caso ocorreu em Esperantina, onde Antônia Taynara Sousa Silva, 20 anos, foi esfaqueada pelo companheiro, Francimar de Almeida da Silva, de 47 anos, que foi preso. A família da vítima tentara afastá-la do agressor anteriormente.

Resposta das autoridades e canais de denúncia

O comandante da Guarda Metropolitana de Palmas (GMP), Gilmar Fernandes, destacou o aumento nas ocorrências. "A gente aconselha que as vítimas liguem de forma espontânea, pode até mesmo ligar, falar que está pedindo uma pizza... para que a viatura possa chegar a tempo", orientou. Os canais de denúncia incluem o telefone 153 da GMP e o 180 da Central de Atendimento à Mulher.

Na esfera judicial, mais de 12 mil processos relacionados à violência contra a mulher tramitam no estado. A juíza Cirlene de Assis informou que o Judiciário tocantinense julgou mais de 70 casos de feminicídio e mais de 4 mil casos de violência doméstica em 2025. "Infelizmente, em decorrência da cultura patriarcal, do machismo, do sentimento de propriedade da mulher, esses números só vêm subindo", afirmou.

Entre agosto e novembro de 2025, a Casa da Mulher Brasileira em Palmas atendeu 915 mulheres vítimas de violência, oferecendo desde afastamento do agressor até abrigo institucional com acompanhamento psicossocial e jurídico.

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