Tragédia da Ponte JK completa um ano com 3 desaparecidos e investigações em andamento
Perícia da PF conclui que colapso foi causado por excesso de peso e falta de manutenção da estrutura.
O desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira (Ponte JK) na BR-226, entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), completa um ano nesta segunda-feira (22). A tragédia, ocorrida em 22 de dezembro de 2024, resultou em 14 mortes confirmadas, três pessoas desaparecidas e uma sobrevivente.
O colapso do vão central da ponte, construída na década de 1960, lançou 18 pessoas e vários veículos ao Rio Tocantins. Caminhões carregados com substâncias tóxicas, como ácido sulfúrico e agrotóxicos, também caíram, gerando preocupações com a contaminação das águas.
Investigações apontam causas e omissões
A Polícia Federal (PF) concluiu, após sete meses de perícia, que a causa do desastre foi o excesso de peso aliado à deficiência estrutural e falta de manutenção. O delegado Allan Reis de Almeida afirmou que o colapso foi "anunciado" e que houve "omissão por parte de agentes públicos".
O inquérito da PF, que ainda não tem previsão de conclusão, apura por que reparos recomendados em relatórios do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) de 2020 não foram executados. Até o momento, não houve indiciamentos ou prisões.
Vítimas e buscas encerradas
Das 18 vítimas, 14 tiveram seus corpos recuperados. Os três desaparecidos são Salmon Alves Santos (65 anos), Felipe Giuvannuci Ribeiro (10 anos) e Gessimar Ferreira da Costa (38 anos). A única sobrevivente foi Jairo Silva Rodrigues.
As operações de busca, que duraram 42 dias, foram oficialmente encerradas pela Marinha do Brasil em 1º de fevereiro de 2025, após atingirem o "limite técnico-operacional".
Problemas estruturais eram conhecidos
A ponte, com 533 metros de extensão, era notável por ter o maior vão do mundo em viga reta de concreto protendido na época de sua construção. No entanto, um relatório técnico do Dnit de 2020 já indicava problemas graves, classificando as condições como "sofríveis e precárias", com vibrações excessivas e um rebaixamento de 70 centímetros no vão central.
Uma licitação de R$ 13 milhões para obras de reabilitação, aberta em 2024, fracassou por falta de empresas habilitadas antes do colapso.
Nova ponte é inaugurada
Os remanescentes da estrutura original foram implodidos em 2 de fevereiro de 2025. Uma nova ponte, com vão livre de 154 metros, foi construída em menos de dez meses e inaugurada nesta segunda-feira (22), essencial para o corredor rodoviário Belém-Brasília.
Apurações continuam
Além da PF, o Ministério Público Federal (MPF) conduz um inquérito civil para apurar as causas da queda e os danos ambientais. Uma ação popular também tramita, pedindo a reconstrução da ponte, um plano de manutenção para outras estruturas e a reparação dos danos ambientais.
O Dnit informou que uma Investigação Preliminar Sumária (IPS) foi aberta para apurar responsabilidades, mas ainda está em andamento.
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