Comissão aprova fim da escala 6x1 com apoio de 34 deputados; veja votação
Proposta segue para análise do plenário da Câmara; quatro parlamentares votaram contra o texto.
A comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) o relatório que propõe o fim da escala de trabalho 6x1 — modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e folga um. Dos 38 parlamentares, 34 votaram a favor e 4 foram contrários.
A proposta, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), prevê a jornada máxima de 36 horas semanais, distribuídas em até quatro dias de trabalho, com folgas de três dias consecutivos. O texto agora segue para análise do plenário da Câmara.
Como votaram os partidos
Entre os partidos com maior bancada, PT, PL, União Brasil e MDB orientaram suas lideranças a favor do texto. Já o Novo e parte do PSDB se posicionaram contra. A votação foi acompanhada por representantes de sindicatos e centrais sindicais, que defendem a medida como forma de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.
O relator, deputado Carlos Veras (PT-PE), destacou que a mudança atende a reivindicações históricas de movimentos trabalhistas. "É um passo importante para reduzir o desgaste físico e mental dos trabalhadores, sem comprometer a produtividade", afirmou.
Impactos e críticas
Setores empresariais, no entanto, criticam a proposta. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o novo modelo pode aumentar custos operacionais e exigir adaptações em setores como comércio e serviços, que dependem de escalas contínuas. "Precisamos de um debate mais aprofundado sobre os impactos econômicos", disse o presidente da entidade, Ricardo Alban.
Pesquisas do Dieese indicam que cerca de 15% dos trabalhadores formais no Brasil atuam em escalas 6x1, principalmente nos setores de saúde, segurança e transporte. Se aprovada, a medida pode beneficiar mais de 10 milhões de brasileiros.
Próximos passos
O texto ainda precisa ser votado no plenário da Câmara, onde precisará de maioria simples para aprovação. Caso avance, seguirá para o Senado. O governo federal sinalizou apoio à proposta, mas aguarda a tramitação para avaliar possíveis ajustes.
Entidades patronais já anunciaram que vão recorrer ao STF caso a medida seja aprovada, alegando inconstitucionalidade. A expectativa é que o debate se estenda até o segundo semestre de 2026.
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