Mãe e filha são suspeitas de usar igrejas para lavar R$ 20 milhões em Palmas
Influenciadora e a mãe, que declaravam renda de até R$ 4 mil, movimentaram fortuna em um ano com jogos ilegais.
A Polícia Civil do Tocantins deflagrou nesta quinta-feira (14) a Operação Tigre de Areia, que investiga um grupo suspeito de explorar jogos de azar ilegais e lavar dinheiro em Palmas. Segundo as investigações, a influenciadora Lara Luiza Cabral e a mãe dela usavam contas de parentes e até igrejas para circular o dinheiro, por meio de transferências fracionadas.
Em apenas um ano, o grupo movimentou mais de R$ 20 milhões, de acordo com a Justiça. Durante a operação, a polícia apreendeu três veículos e bloqueou três casas e sete lotes. A Justiça também suspendeu os perfis nas redes sociais usados para promover apostas e sorteios ilegais.
Esquema usava igrejas como 'lavanderia'
O delegado-chefe da 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (1ª Deic), Wanderson Chaves de Queiroz, explicou ao g1 que usar instituições religiosas é uma tática comum em crimes financeiros. "O dinheiro do crime entra como doação de oferta ou de dízimos e sai um dinheiro limpo como da entidade religiosa", detalhou.
Segundo o delegado, um pastor poderia usar o dinheiro para comprar imóveis para a igreja, carros ou fazer investimentos para beneficiar a pessoa que inicialmente injetou o dinheiro ilícito. A polícia ainda apura se as transferências para as igrejas eram dízimos reais ou parte do esquema.
O contador Thiago Schüler explica que as igrejas atraem o crime organizado por causa da imunidade tributária. "A origem não é identificável e nem se paga imposto sobre as doações. É onde o crime tenta entrar para não ser percebido", afirma. Schüler ressalta que a lavagem de dinheiro só se configura se o recurso voltar para o criminoso: "A igreja teria que aplicar o recurso em algo do interesse do doador".
Luxo incompatível com renda declarada
A investigação começou após a polícia notar que o luxo ostentado pelas suspeitas não combinava com o que elas declaravam ganhar. A influenciadora dizia receber menos de R$ 4 mil por mês. Já a mãe, que declarou ser faxineira com renda de R$ 3 mil, movimentou sozinha R$ 9 milhões no período.
Segundo a investigação, além das igrejas, os investigados usavam empresas de fachada e contas de "laranjas" (terceiros) para espalhar o dinheiro. A Justiça autorizou a quebra do sigilo de dados das duas mulheres, permitindo acesso a informações em celulares, computadores e na nuvem.
Próximos passos
Mãe e filha respondem por jogos de azar, loterias ilegais, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A equipe de Lara Luiza Cabral foi procurada para comentar as investigações, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem. O g1 não conseguiu contato com a mãe da investigada.
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