Motorista que devolveu R$ 131 mi por engano espera há 1 ano por indenização
Política

Motorista que devolveu R$ 131 mi por engano espera há 1 ano por indenização

Antônio Pereira processa Bradesco pedindo R$ 13 milhões de recompensa após devolver valor creditado por erro bancário em 2023.

Admin
Admin

12 de junho de 2026 ·

O motorista Antônio Pereira do Nascimento, de Palmas (TO), aguarda há mais de um ano o julgamento de uma ação judicial contra o Bradesco. Ele pede uma recompensa de R$ 13 milhões e indenização de R$ 150 mil por danos morais, após devolver integralmente R$ 131.870.227 que recebeu por engano em sua conta corrente em junho de 2023.

O valor milionário ficou disponível na conta de Antônio por apenas sete horas. No mesmo dia, ele procurou a agência bancária para devolver o montante. Apesar da devolução, o motorista afirma ter sofrido pressão psicológica do gerente do banco e assédio da imprensa, o que motivou o pedido de indenização.

O processo tramita na 6ª Vara Cível de Palmas e, em março de 2026, o juiz Lauro Augusto Moreira Maia dispensou o depoimento de testemunhas. A defesa de Antônio recorreu da decisão com um embargo de declaração, que ainda aguarda análise.

O erro bancário e a devolução

Em junho de 2023, o saldo da conta de Antônio saltou de R$ 227 para mais de R$ 131 milhões. O banco, ao perceber o erro, classificou a conta do motorista como VIP, o que gerou um aumento na tarifa mensal de R$ 36 para R$ 70, sem aviso prévio.

"Nunca vi um dinheiro desse na minha vida e não consigo nunca na minha vida, só se ganhar na Mega-Sena, e jogar eu não jogo. Então é difícil", disse Antônio à época, em entrevista à TV Anhanguera.

O Bradesco foi procurado pela reportagem, mas informou que não comenta casos que seguem em julgamento.

Base legal para a recompensa

O pedido de recompensa de R$ 13 milhões se baseia no artigo 1.234 do Código Civil, que determina que, em caso de restituição de coisa achada, a pessoa tem direito a uma recompensa não inferior a 5% do montante.

"O Autor encontrou, em meio virtual, um valor que não lhe pertencia e prontamente tomou medidas voluntárias para devolvê-lo, demonstrando integridade e boa-fé de modo que faz jus à aplicação de uma recompensa proporcional ao esforço e à honestidade demonstrada pelo devolvedor", destacaram os advogados de Antônio na ação.

Orientações para evitar golpes

Casos de transferências por engano são raros, mas podem ocorrer. A bancária Fabíola Vatezeck, que atua em outra instituição, explica que os erros geralmente são causados por falha humana, como digitação incorreta de dados, e não por falhas no sistema.

"Em todos esses anos eu nunca vi um erro deste acontecer por falha em sistema. Os erros, geralmente, quando ocorrem, são por um depósito errado porque um humano, seja o cliente ou funcionário digitou o número errado", disse.

A orientação para quem receber um valor indevido é não fazer uma nova transferência para uma conta diferente da qual o dinheiro saiu, para evitar cair em golpes. O banco não pode retirar o dinheiro da conta sem autorização; em caso de recusa na devolução, o proprietário original deve acionar a Justiça.

Próximos passos

O processo aguarda o julgamento do recurso da defesa de Antônio, que pede esclarecimentos sobre a decisão que dispensou as testemunhas. A expectativa é de que o caso tenha um desfecho ainda em 2026.

Antônio é pai de quatro filhos e avô de 14 netos. Ele segue trabalhando como motorista enquanto aguarda a decisão judicial.

Deixe seu Comentário
0 Comentários
🍪

Cookies

Nosso site usa cookies para melhorar a experiência do usuário. Ao usar nossos serviços, vocês concorda com a nossa Política de Cookies.