Peru elege novo presidente após crise que derrubou 9 governantes em 10 anos
País vai às urnas neste domingo para escolher sucessor em meio a instabilidade política crônica e escândalos de corrupção.
O Peru realiza neste domingo (7) eleições presidenciais para escolher o novo chefe de Estado, em meio a uma crise política que já derrubou nove governantes nos últimos dez anos. O pleito ocorre em um clima de incerteza e desconfiança da população em relação à classe política.
Crise política crônica
Desde 2016, o país andino vive um período de instabilidade sem precedentes. Nenhum presidente conseguiu completar o mandato nos últimos cinco anos. A sucessão de escândalos de corrupção, crises institucionais e conflitos entre os poderes Executivo e Legislativo levaram à queda de governantes de diferentes espectros políticos.
Os presidentes Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), Martín Vizcarra (2018-2020), Manuel Merino (2020) e Pedro Castillo (2021-2022) foram destituídos ou renunciaram. O ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006) e a ex-presidente Dina Boluarte, que assumiu após a destituição de Castillo, também enfrentaram processos e crises.
Protagonistas e principais candidatos
Entre os principais candidatos que disputam o pleito estão o economista de direita Hernando de Soto, a ex-primeira-dama Keiko Fujimori (líder da oposição) e o candidato de esquerda Verónika Mendoza. Todos prometem restaurar a governabilidade e combater a corrupção, mas enfrentam o ceticismo do eleitorado.
“O povo peruano está cansado de promessas vazias. Precisamos de alguém que realmente lute contra a corrupção e traga estabilidade”, afirmou a analista política Maria del Pilar Tello, em entrevista ao G1.
Contexto histórico e econômico
O Peru viveu um período de crescimento econômico robusto entre 2000 e 2015, impulsionado pela alta dos preços das commodities. No entanto, a crise política e os escândalos de corrupção, como o caso Odebrecht, corroeram a confiança dos investidores e a economia estagnou. A pobreza voltou a crescer, afetando principalmente as regiões rurais.
Segundo dados do Banco Mundial, a pobreza no país subiu de 20,5% em 2019 para 27,5% em 2023. A inflação acumulada nos últimos dois anos supera os 15%, pressionando o custo de vida da população.
Próximos passos e consequências
O novo presidente eleito enfrentará o desafio imediato de formar um governo de coalizão e aprovar reformas no Congresso, que permanece fragmentado. A expectativa é que o resultado das urnas seja conhecido ainda neste domingo. A comunidade internacional, incluindo o Brasil, acompanha o pleito com atenção, dada a importância estratégica do Peru na América do Sul.
“O resultado das eleições terá impacto direto na estabilidade regional e nas relações comerciais com o Brasil, especialmente na fronteira amazônica”, destacou o cientista político Maurício Santoro, da UERJ.
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