PF bloqueia R$ 141,7 mi em operação contra fraude em crédito rural no Tocantins
Ex-funcionário de banco é suspeito de inserir dados falsos para enquadrar clientes como produtores rurais e obter financiamentos.
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (9) a Operação Terra Falsa, que investiga um esquema de fraudes em financiamentos rurais no Tocantins. Foram bloqueados mais de R$ 141,7 milhões e US$ 400 mil (cerca de R$ 2,06 milhões) de um grupo suspeito de superfaturar imóveis rurais para obter crédito bancário.
Oito pessoas são alvos de mandados de busca e apreensão. A Polícia Federal pediu a prisão preventiva de parte dos investigados, mas a 4ª Vara Federal Criminal de Palmas decidiu, por enquanto, apenas pelas ordens de busca e apreensão, além do bloqueio e sequestro de bens.
Os suspeitos não tiveram os nomes divulgados, e o g1 não conseguiu contato com a defesa deles. O Banco Itaú foi procurado, mas não se posicionou até a última atualização desta reportagem.
Esquema de "ruralização artificial"
De acordo com as investigações, um ex-funcionário do banco, que atuava no setor de agronegócio, é apontado como o principal articulador. Ele usava seu acesso privilegiado para inserir informações falsas nos sistemas da instituição financeira, permitindo que pessoas sem qualquer histórico ou capacidade econômica se passassem por produtores rurais.
Essa "ruralização artificial", segundo a PF, dava ao grupo acesso a linhas de crédito rural. O esquema contava ainda com captadores de clientes, que buscavam interessados e se apresentavam como facilitadores de "contatos privilegiados" no banco, condicionando a obtenção de recursos ao pagamento de comissão.
Superfaturamento de até 2.600%
O ponto central da estratégia era a manipulação do valor de propriedades rurais. O grupo adquiria imóveis e, em prazos extremamente curtos, promovia uma grande valorização desses bens nos registros e avaliações.
Para a polícia, essa valorização era artificial e buscava dar os imóveis como garantia para financiamentos que, em tese, não seriam pagos. Há registros de bens que sofreram valorizações superiores a 2.600% para servirem como garantia a novos empréstimos de alto valor.
A suspeita da Polícia Federal e do Ministério Público Federal é de que esses créditos eram contratados com o objetivo prévio de inadimplemento, ou seja, os valores eram liberados e nunca devolvidos ao banco, enquanto a instituição ficava com garantias que não correspondiam ao valor real de mercado.
Bens sequestrados e próximos passos
Para garantir o ressarcimento dos danos, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros, o sequestro de imóveis, veículos e até rebanhos de animais em nome dos investigados. Carros de luxo foram apreendidos durante a operação em Palmas.
Além disso, foi autorizado o acesso a dados de aparelhos eletrônicos e computadores apreendidos para aprofundar a investigação sobre o fluxo financeiro do grupo. A polícia segue analisando o material para identificar todos os envolvidos e o montante total de recursos desviados.
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