PMs criaram grupo "Operação Anamon" horas antes de chacina em delegacia no TO

PMs criaram grupo "Operação Anamon" horas antes de chacina em delegacia no TO

Vinte e três policiais militares tiveram prisão preventiva decretada por suspeita de participação nas mortes em Miracema.

Admin
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9 de maio de 2026 ·

Policiais militares investigados pela Chacina de Miracema, no Tocantins, criaram um grupo em um aplicativo de mensagens com o nome "Operação Anamon" horas antes da morte de duas vítimas dentro de uma delegacia. A informação consta na decisão judicial que determinou a prisão preventiva de 23 PMs e a aplicação de medidas cautelares.

Nesta sexta-feira (8), todos os 23 militares suspeitos se apresentaram na sede do Comando Geral da PM. O advogado Paulo Roberto, que defende parte dos investigados, afirmou que ainda não teve acesso à decisão. "Tão logo a gente tenha conhecimento, teremos condições de emitir um parecer acerca da situação", disse.

O grupo e a referência ao sargento morto

O nome do grupo faz referência ao sargento da PM Anamon Rodrigues, morto no dia 4 de fevereiro de 2022, durante uma troca de tiros no setor Novo Horizonte II. Após a morte do policial, outros seis assassinatos foram registrados na cidade. As vítimas foram: Manoel Soares da Silva, Edson Marinho da Silva, Valbiano Marinho da Silva, Aprigio Feitosa da Luz, Pedro Henrique de Sousa Rodrigues e Gabriel Alves Coelho.

De acordo com a decisão, o policial que criou o grupo participou da mobilização das equipes e ficou sob a posse de uma caminhonete. Esse mesmo veículo foi flagrado por câmeras de segurança indo em direção à delegacia e deixando o local instantes após o ataque.

Invasão e mortes na delegacia

Na madrugada do dia 4 de fevereiro de 2022, Manoel Soares e Edson Marinho prestaram depoimento na delegacia. Após serem liberados, decidiram ficar no local até o amanhecer para voltar para casa em segurança. Nesse período, a delegacia foi invadida por 15 pessoas encapuzadas que renderam policiais civis e atiraram contra pai e filho.

Conforme a decisão, depois que as vítimas passaram pelos procedimentos policiais, várias viaturas começaram a circular e estacionar nas imediações da delegacia. A movimentação começou por volta das 4h30. Manoel e Edson foram mortos por volta das 6h29.

Liderança e adulteração de provas

O major Yurg Noleto Coelho foi apontado como uma "liderança informal" das equipes que estavam à paisana. Imagens teriam mostrado ele emitindo ordens e mantendo uma viatura posicionada em um local com visualização das rotas de fuga. Depois da invasão, ele e outros policiais teriam ido até um posto de combustível recolher os HDs das câmeras de segurança que poderiam ter captado as movimentações da chacina.

No celular do policial que acompanhou o major, foram encontradas fotos dos HDs recolhidos e de câmeras de monitoramento com marcações em vermelho. A decisão informa que viaturas tiveram os sistemas de rastreamento adulterados no período da invasão. Um PM também teria retirado o GPS de uma viatura e instalado em outro veículo para gerar "trilhas artificiais" compatíveis com o cortejo do sargento Anamon.

Outras mortes e represálias

No dia 5 de fevereiro de 2022, Aprigio Feitosa da Luz, de 24 anos, Gabriel Alves Coelho, de 21 anos, e Pedro Henrique de Sousa Rodrigues, de 18 anos, foram encontrados mortos no Jardim Buriti. Segundo a decisão, quatro jovens foram abordadas em um posto de combustível durante uma festa e colocadas em veículos brancos sob pretexto de que seriam encaminhadas para a delegacia. Eles foram levados para o loteamento, onde foram executados. Apenas um sobreviveu.

A ação teria acontecido em represália à morte do sargento Anamon. Conforme a decisão, os policiais também monitoraram o posto de combustível antes da abordagem.

Posicionamento da PM

A Polícia Militar do Tocantins informou que acompanha o caso por meio da Corregedoria-Geral da PMTO, prestando apoio institucional necessário ao cumprimento das determinações judiciais. Afirmou que "não compactua com quaisquer desvios de conduta" e que os fatos serão apurados pelos órgãos competentes, assegurados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.

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