Tremor de 2,8 no TO é comum; Brasil já teve sismo de 6,2 em 1955
Registro no sul do Tocantins não teve danos, mas especialistas alertam para risco em construções informais.
Um tremor de terra de magnitude 2,8 foi registrado na madrugada da última quinta-feira (21) entre os municípios de Cariri do Tocantins e Gurupi, na região sul do estado. De acordo com a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), o evento não causou danos e não houve relatos de moradores que tenham sentido o abalo.
O sismo foi analisado pelo Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB). A RSBR, coordenada pelo Observatório Nacional (ON/MCTI) e com apoio do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), afirmou que tremores de baixa magnitude são relativamente comuns e ocorrem quase todas as semanas em diferentes regiões do país.
Tremores frequentes e imperceptíveis
Segundo especialistas da RSBR, abalos sísmicos de baixa intensidade passam despercebidos pela população na maioria dos casos. Apenas a partir da magnitude 2,5 as pessoas começam a sentir vibrações, barulhos ou objetos se movendo, mas a força não é suficiente para derrubar prédios ou causar rachaduras significativas.
“Contudo, os sismos são fenômenos impossíveis de prever e não dá para dizer se as magnitudes podem aumentar. Por isso, contamos também com a contribuição da população, que pode reportar tremores sentidos por meio da nossa plataforma, o que ajuda no monitoramento”, afirma Bruno Collaço, sismólogo da RSBR.
Histórico de tremores no Tocantins
Apesar da baixa intensidade do último evento, o Tocantins já registrou abalos mais fortes. Em dezembro de 2022, um tremor de magnitude 3,4 com duração de 45 segundos foi registrado no município de Talismã, no sul do estado. Na ocasião, moradores relataram um barulho semelhante ao de um trovão, seguido de vibrações que fizeram portas, janelas e o chão tremerem.
Outro evento significativo ocorreu em agosto de 2019, quando um tremor de magnitude 3,1 foi registrado em Ipueiras. O abalo também foi sentido em cidades vizinhas, como Santa Rosa do Tocantins e Silvanópolis, com sensação semelhante à passagem de um caminhão pesado.
Risco sísmico no centro da placa tectônica
O Tocantins está localizado no centro de uma placa tectônica, o que garante mais segurança do que países como Japão ou Chile, situados nas bordas dessas placas. No centro, os tremores costumam ser mais raros e mais fracos. No entanto, o risco não é zero.
“Em 1955, o Brasil registrou um tremor de magnitude 6,2. O fato mostra que abalos mais fortes podem acontecer no país, mesmo longe das bordas das placas tectônicas”, informa o sismólogo.
Vulnerabilidade de construções informais
A engenharia civil praticada no Brasil é considerada resistente aos níveis de sismos registrados habitualmente no Tocantins. O estado encontra-se em uma zona de perigo baixo a moderado, conforme as diretrizes da norma ABNT NBR 15421, que regulamenta projetos de estruturas resistentes a sismos.
“O maior problema são as habitações populares e construções informais, que não foram projetadas com essas exigências em mente. Em um cenário de um eventual sismo de maior magnitude, essas construções ficariam vulneráveis, como já ocorreu antes no Ceará, em Minas Gerais e no Rio Grande do Norte”, conclui o especialista.
Embora assustem, tremores com magnitude abaixo de 4,0 dificilmente causam rachaduras ou estragos em casas, mesmo nas mais simples. A população pode contribuir com o monitoramento reportando tremores sentidos por meio da plataforma da RSBR.
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